Marcelo Bancalero
Eu faço parte da militância de blogueiros que elegeu a
Mulher Presidenta do Brasil !

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Mini Conto - Dia Nacional de Combate à Dengue


Dona Maria acordou naquele dia, e enquanto preparava o  café para a família, escutava no  rádio que aquele era o Dia Nacional de Combate à Dengue.
Dona Maria já teve amigos e familiares infectados com o vírus, inclusive alguns que haviam morrido.  ´É verdade que foram casos que aconteceram  distantes de sua  casa, mas todo cuidado é pouco com esse mosquito danado, pensou.
Enquanto refletia, a radio continuava falando sobre o combate ao mosquito da Dengue, e que agora já não era apenas responsável pela Dengue , pois além da Dengue, Aedes aegypti é transmissor de outras duas doenças: febre Chikungunya e vírus Zyca que tem aumentado  casos de microcefalia em recém nascidos.
Dona Maria resolveu que  faria a diferença. Não podia apenas ficar ouvindo aquilo e nada fazer. Fez uma campanha em seu bairro, distribuiu folhetos explicando como evitar criadouros. Fez reuniões no Amigos do Bairro. Teve amplo apoio dos moradores da comunidade.Quase toda população participou para eliminar criadouros e impedir que o mosquito trouxesse as doenças ao bairro.
Bom, nem todos...
Dona Olga, vizinha ao lado de Dona Maria, não quis participar. E nem permitia que inspecionassem sua casa. Criticava Dona Maria, dizendo que está estava querendo sair candidata a vereadora e “queria aparecer” com aquilo tudo. Assim, o bairro havia eliminado os possíveis criadouros do mosquito da Dengue...
Menos a casa de Dona Olga.
E foi lá que o mosquito achou lugar para colocar suas larvas. Algumas semanas depois, começaram  a parecer  casos de Dengue e Chikungunya entre a população. Dona Maria, a primeira lutar contra o mosquito foi a primeira a morrer... Dona Olga foi logo depois.
  
Marcelo Bancalero

Governo cria Dia Nacional de Combate à Dengue
20 de maio de 2010 |  
O governo sancionou a lei que institui o penúltimo sábado do mês de novembro como o Dia Nacional de Combate à Dengue. O objetivo, de acordo com a lei, é mobilizar iniciativas do Poder Público e a participação da sociedade para a realização de combate ao vetor da doença. No Estado de São Paulo, a epidemia de dengue que ocorre neste ano já causou o maior número de mortes da história da doença no Estado – pelo menos 55 – e é a segunda em total de casos – 69.148 -, perdendo só para a registrada em 2007. O total de doentes em 2010 já corresponde a 74,8% do computado em 2007, ano em que foram notificados 92.345 casos da doença. As cidades de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Guarujá e Santos lideram.

Fonte: Agência Estado
http://www.recantodasletras.com.br/contos/5462409

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Dia da Consciência Negra



Quero aproveitar o Dia da Consciência Negra
Para fazer um alerta a sociedade deste país
Sem esquecer-se dos ideais de Zumbi dos Palmares
Ao lembrarmos do povo negro e desta história a cicatriz

Não basta uma consciência do mal que foi feito
Se ela não impede que ele continue em outras formas
Vestido com outras fantasias sociais outros pesares
Continuarem mantendo vivo o preconceito escondido em cotas

A abolição que falta é de nossa própria consciência
Quando não se precisar nesta nossa diversificada nação
Ter um dia para lembrar a luta contra o preconceito
Talvez não precisaremos mais de cotas fazendo separação

Quando entendermos que somos todos nós irmãos
E a cor da pele, ou outras diferenças não nos separem mais
Poderemos nos enxergar no outro, seja ele branco ou preto
Neste dia Zumbi descansará em paz vendo cumprido seus ideais



Marcelo Bancalero

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Memórias de Liza, uma cadelinha abandonada


Conto sobre os sentimentos dos animais, maus tratos, abandono, etc.
Caso alguma associação protetora dos animais se interesse, eu libero para publicação.

E-book em formato digital em http://issuu.com/marcelobancalero/docs/mem__rias_de_uma_cadelinha_abandona









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Memórias de Liza, uma cadelinha abandonada


Introdução


Meu nome hoje é Liza, mas esse é o último nome que recebi em minha vida. Como vocês poderão notar no desenrolar de minhas memórias, eu tive vários donos e vários nomes.
Sou uma cadela vira-lata de porte médio, cor predominante preta, com alguns detalhes em branco. Tenho hoje 56 anos na idade dos cachorros. O que dá 08 anos na idade dos seres humanos.
Resolvi escrever minhas memórias, como uma forma de mostrar um pouco aos seres humanos que nós os cachorros, assim como todos os animais, temos sentimentos. E assim conscientizá-los sobre questões como maus tratos, violência, abandono etc.


Capítulo 1
Meu nascimento, minha família e uma tragédia.IMG_20150729_093749.jpg

Sou filha de uma cachorra, vira-lata de cor preta completa, que era acompanhante de um homem, morador de rua. Meu pai não sei quem era. Sabe como é né... Mamãe era cachorra de rua. Dormia e vivia na rua, e em tempo em que ficava no cio, era um Deus nos acuda. Eu fui um dos filhotes da sua 10ª gravidez. Devo ter dezenas de irmãos espalhados por ai.
Meus sofrimentos começaram logo que nasci. Minha mãe e meus irmãos que nasceram comigo, ao todo seis, morreram dias depois do nosso nascimento. Morreram junto com nosso dono. Ele, como eu disse, era morador de rua, e bebia para esquecer os problemas da vida e se aquecer nas noites frias. Certa noite estávamos todos deitados junto dele, acomodados num pedaço de papelão, e uma coberta velha de algodão.  Quando de repente se aproximaram uns jovens rindo alto e vinham  chutando  sacos de lixo que se encontravam nas ruas. Ao se aproximarem  de nós, um deles  falou;
_Olha só  esse bebum sujo, deixando nossa cidade feia.
Outro disse;
_Vagabundo! Suma daqui!
E chutou nosso dono, que não  reclamou, nem  se defendeu.
Mas mamãe não! Mamãe avançou para cima dos jovens, rosnando, latindo e mostrando seus dentes afiados.
Os meninos correram. Então voltamos a nos acomodar em nossa cama de rua, e adormecemos.
O que aconteceu depois, foi  muito rápido, eu me lembro apenas de alguns detalhes. Só não esqueço da voz daquele jovem quando disse;
_Manda sua cachorra morder agora seu bêbado vagabundo!
Senti então aquele cheiro forte de gasolina. O menino havia jogado o liquido em toda nossa cama. Nosso dono, minha mãe e meus irmãos estavam todos ensopados. Eu só não fui atingida, pois dormindo havia rolado para os pés da cama. Então o rapaz acendeu um fósforo e jogou em cima de nós. Um fogo enorme começou. Corri como louca pára escapar. Um dos meninos correu atrás de mim e me pegou pelo rabo. Caminhava em direção ao fogo, onde pude  ainda ver aquela cena horrível, com meu dono, mamãe e meus irmãos se debatendo no meio das chamas. Quando ele ia me atirando no meio do fogareiro, uma sirene da policia o assustou e ele me largou e saiu correndo.
Tentaram apagar o fogo, mas era tarde... Tarde demais para todos. A policia me encaminhou para a Zoonoses da cidade. Nunca soube se prenderam aqueles selvagens que mataram minha família.


Capítulo 2
À procura de um dono


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O Centro de Zoonoses tinha um local, onde ficavam os cachorros e gatos abandonados que eram encontrados na cidade. Tinha de tudo lá. Cães velhos, doentes, filhotes, cachorras prenhas, gatos nas mesmas condições. Quem tinha sorte podia ser adotado, mas essa sorte não chegava aos idosos e doentes, que acabavam sendo sacrificados.  
Fiquei na Zoonoses uns 6 meses. Um dia, a cidade  resolveu diminuir a quantidade de internos, criando uma campanha de adoção de animais. Ainda me lembro daquele dia. Nós  nunca recebíamos carinho, nenhum contato humano a não ser quando o veterinário vinha fazer uma inspeção pra avaliar  a saúde dos animais. Às vezes ele trazia auxiliares que demonstravam algum sentimento com a gente. Naquele dia da campanha de adoção, eu e os filhotes éramos os mais propícios a sermos adotados. Então nos deram banho, escovaram nossos pelos. E nos levaram a uma grande praça na cidade, onde dentro de uma enorme tenda ficamos expostos para a população. Muita gente  chegava dizendo.
_Olha que gracinha!
Crianças dizendo;
_Mãe eu quero esse! Leva! Leva!
Fiquei ansiosa para ir com uma daquelas crianças...
Mas infelizmente, um homem, de rosto sisudo que dava até medo, me escolheu antes. Pensei, quem sabe está me levando para seu filho ou filha... Mas não. Era para ele mesmo. E o homem  de cara brava  era solteiro.
Chegando em sua casa amarrou uma corda em meu pescoço. Uma corda mesmo, não uma coleira. A corda apertava minha garganta ainda pequena, eu tinha menos de um ano de vida, era mansa. Não tinha por que me prender daquele jeito.
O homem me chamava pelo nome de Pintada, por causa de eu ser preta e ter algumas manchas brancas em meus pelos, sendo uma destas bem na minha testa.
Os primeiros dias foram  até normais. Eu passava a maior parte deles sozinha. O homem saia cedo para trabalhar, e voltava tarde da noite. Muitas vezes esquecia de deixar água e comida. Acostumei-me a esperar. Eu tentava chamar sua atenção latindo, tentava brincar. Um dia inventei de pular em suas pernas para brincar com ele, ver se ganhava um pouco de atenção. E ganhei a atenção. Que veio em forma de um chute na minha barriga que me jogou longe. Enquanto o ser desprezível de rosto sisudo dizia;
_Não arrumei cachorro pra brincadeiras! E sim pra guardar a casa! Trate de virar um cão bravo, ou te jogo na rua sua peste!
Virar um cão bravo? Mas por quê? Eu não queria ser uma cadela brava! Eu queria só carinhos, alguém pra coçar minha barriga... Enfim, eu queria uma família. E não um emprego!
Passei os demais dias planejando minha fuga daquele lugar horrível. Foi então que percebi que eu era um cachorro e aquela corda poderia ser destroçada facilmente por meus  dentes afiados. Foi como pensei... Em minutos roí a corda e me soltei. Acabei bem na hora que o grandalhão de mau humor chegou. Assim que ele abriu o portão, eu corri e passei bem, no meio de suas pernas. Ouvi ao longe o homem me xingando de vários nomes feios que não vou colocar aqui em respeito ao caro leitor. O importante é que eu estava livre! Bom, eu tinha ainda um pedaço de corda amarrada no meu pescoço. Mas era livre pra ir bem longe daquele lugar.
Eu tinha que encontrar uma família, um dono pra cuidar de mim. Mas precisava também de água e comida. E confesso, eu nunca tive de procurar essas coisas. Sempre tinha alguém que cuidava disso.
Era estranho andar livre nas ruas. Dava um pouco de medo quando alguns cachorros chegavam latindo e depois de me cheirar se afastavam. Nem os bonitinhos me davam muita bola. Acho que era por que fui castrada na Zoonoses e não ficava no cio nem podia engravidar. Isso era bom de um lado, pois se evitava ficar grávida, mas também afastava bons partidos de namoro. Mas como a prioridade era outra, isso não me entristecia muito. Eu queria era o carinho de um dono.
Continuando minha história. Eu ia pelo caminho procurando ainda o que comer, quando um homem, que estava na porta de um bar, se ao me ver, se agachou e me livrou daquela corda que  apertava ainda meu pescoço. Ele estava comendo um salgado Fiz a melhor cara de piedade, fome e de bicho carente que eu podia fazer... Ele jogou-me então o salgado, que comi tão rápido que não lembro se era de carne ou frango o recheio. Fiz festa para o homem, lati, pulei em suas pernas, ele me fez carinho na cabeça, brincou comigo. Eu estava tão feliz, tão feliz... Afinal, era o primeiro contato humano de verdade que eu recebia. Não como do médico com suas auxiliares, nem como do brucutu que me adotou... Mas era um contato de verdade. Como eu sempre havia sonhado. Pensei comigo que havia encontrado meu dono. Mas logo descobri que não. O homem bondoso pagou o dono do bar e entrou num carro. Eu corri e tentei entrar também, mas ele fechou a porta antes. Ligou e saiu pela rua indo embora. Eu corri, corri como louca atrás daquele carro, no meio do trânsito, no meio de carros em alta velocidade que buzinavam e seus motoristas gritavam como doidos;
_Sai da rua vira-lata!
Por fim, perdi o carro daquele bom homem de vista e desisti da busca. Voltei a caminhar pelas ruas da cidade, precisava encontrar um lugar para ficar, logo ia escurecer.
Encontrei alguns cachorros perto de um casal de moradores de rua, mas as lembranças de minha família queimada naquela fatídica noite me fizeram ir procurar outro lugar.  Dormi aquela noite debaixo de um banco do ponto de ônibus de frente a uma padaria 24 horas. O movimento ali, me dava segurança e acalmava meus medos. Enquanto o sono não vinha eu ficava olhando as pessoas que entravam e saiam do lugar. Pensava nas famílias a que pertenciam, se tinha algum bichinho de estimação. Quem sabe, alguma daquelas pessoas pudessem ser bons donos para mim.
O dia clareou. Eu havia dormido à prestação, mas estava com as forças renovadas, embora com muita fome. Matei a sede bebendo um pouco de água numa poça na calçada e segui adiante em minha missão. O centro da cidade não parecia ser um lugar bom para encontrar um dono, então segui para os bairros da periferia. Passando perto de uma casa de quintal enorme, vi que o portão estava aberto. Curiosa, resolvi entrar.  De repente aquele cachorro veio latindo e rosnando atrás de mim. Era um Pitbul bravo enorme. O cão vinha babando, nos olhos avermelhados eu podia ver a raiva que ele estava sentindo por eu ter invadido sua casa.
Corri feito louca. Ele estava quase me alcançando. Se me pega me mata! Pensei. Foi então que uma senhora vendo minha situação abriu o portão de sua casa e me chamou;
Vem pra cá cachorrinha!
Não pensei duas vezes... Entrei feito um foguete passando pelo meio das pernas da velhinha que correu fechar o portão. O malvado Pitbul ficou latindo como doido lá fora, enquanto minha heroína me afagava a cabeça enquanto carregava-me para dentro da casa. Já acomodada, num cantinho da sua cozinha, ela me deu água fresca, e um pratinho com uma comida deliciosa. Nossa como eu estava com fome! Comi e logo dormi de tão cansada que estava.



Capitulo 3
Conhecendo os novos donos
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Quando acordei na casa da boa senhora que me havia salvado a vida, a casa estava cheia de gente. E estavam falando sobre mim.
Um homem magro, alto de rosto fino dizia;
_Mas mamãe, a senhora está velha e cansada. Cheia de doenças, precisa se cuidar, tomar um monte de remédios. Não dá pra cuidar de cachorro.
_Não se preocupe meu filho. Eu dou conta.
Dizendo isso, chamou um menino, era seu neto.
;
_Venha conhecer a Pretinha, Gustavo. Olha como ela é bonitinha.
O neto da senhora tinha oito anos. Chegou perto, me fez um carinho na cabeça. Nisso, sua mãe gritou da sala. Pode lavar bem essa mão depois menino! Vai saber onde andou essa vira-la.
_Amanhã vou dar banho na Pretinha. Disse a boa velhinha. Dona  Cida era seu nome.
Eu estava feliz. Apesar  das reações do filho e da nora de dona Cida, parecia que eu  havia enfim encontrado um lar. Bom aquilo já era melhor que o perigo das ruas, ou a solidão da Zoonoses. No dia seguinte, dona Cida me deu um bom banho. Eu nunca gostei muito de banho, mas bem que eu estava precisando. De tarde a perua escolar trouxe seu neto que ficava com ela, até seus pais chegarem do trabalho, quando vinham buscá-lo. Ela nos dava o almoço, e depois de tomar seus remédios deitava-se para dormir. Foi então que descobri que crianças  podem  ser mais perigosas do que as ruas. Gustavo fazia cada coisa comigo...  Uma vez me colocou dentro da gaveta do guarda-roupa e fechou as portas. Quase morri sufocada no meio daquelas roupas. Em outro dia inventou que ia me mandar de presente para um amigo no Japão. E para isso me colocou dentro de uma caixa de papelão, fechou com fita adesiva e escreveu “Made in Japão” na tampa. Pior... Isso foi perto da hora de seus pais o buscarem. Acreditam que ele me deixou lá? Sim! Presa, quase sem ar... Largou a caixa fechada comigo dentro perto da caixa do correio no portão. Eu escutava Dona Cida  me chamando da sala. Mas meus latidos abafados pela caixa lacrada de fitas, não eram suficientes para  que a velhinha me escutasse.
_Pretinha cadê você?
_Venha cá meu amorzinho...
_Onde anda essa cadelinha? Será que o Gustavo deixou o portão aberto e ela fugiu?
Foi então que Dona Cida veio até o portão verificar se estava aberto. Ao perceber sua presença. Me debati dentro da caixa. Quase matei a velhinha de susto, mas deu certo. Dona Cida me libertou e retribui com muitas lambidas em seu rosto assim que me vi solta do cárcere. No dia seguinte ela deu uma bronca no neto.
Tive outras aventuras com o Gustavo, mas apesar de tudo, só de fazer parte de uma família, valia à pena o sacrifício.


Capítulo 4
Mais uma tragédia e o retorno à ZoonosesIMG_20150729_093942.jpg


Fiquei na casa de Dona Cida por dois anos, eu já estava com 21 anos na idade dos cachorros, 3 na idade dos seres humanos. Mas num  fatídico dia, quando acordei, esperei dona Cida levantar, pois ela abria a porta para que eu fosse ao quintal fazer minhas necessidades. As horas passavam, e nada da velhinha levantar. Fui até o quarto, subi na cama, ela estava ainda deitada.  Voltei para cozinha, eu estava apertada, mas não ia fazer xixi na cozinha. Voltei ao quarto e lati perto da cama de Dona Cida. Lati várias vezes e nada. Até que desisti. Não agüentei  e fiz  meu xixi  num cantinho da cozinha mesmo, dona Cida que me desculpa-se , mas  não deu para agüentar. À tarde, a perua da escola chegou. Gustavo entrou pelo portão, mas as portas da casa ainda estavam trancadas por dentro e  ele não tinha a chave. Chamou, tocou a campainha e nada de dona Cida acordar. Nesse ponto eu já estava  começando  a  entender o que havia acontecido. A velhinha era muito doente, tomava diversos remédios todos os dias.  Passado algum tempo o menino voltou  com seu pai. Este chamou algumas vezes, e logo arrombou a porta. Ele correu para o quarto com o filho ao lado. Gritando;
_Mamãe! Mamãe!
Mas infelizmente dona Cida havia partido.
Sem dona Cida, o casal tomou duas providências...
O menino saia da escola e ia para um curso extracurricular na parte da tarde...
E eu...
Bom, eu fui enviada para a Zoonoses novamente.


Capítulo 6
A Fuga

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Eu havia experimentado uma vida familiar. Não conseguia mais aceitar aquela vida de abandono e solidão da Zoonoses. Tinha que dar um jeito de fugir daquele lugar. Tracei um plano infalível.  Foi num domingo, em que havia apenas um empregado no local, que  vinha  fazer uma inspeção no lugar. Quando o homem chegou perto do portão onde eu ficava junto com outros três cachorros, me fingi de morta. Deitei numa posição toda torta para que chamasse a atenção dele. E deu certo. O homem ao chegar e me ver  naquela situação estranha, com uma perna torta para um lado, a outra para o outro lado, a cabeça jogada para trás, em cima do pote de água com uma das orelhas  mergulhada dentro... O sujeito correu abrir a porta do lugar e se aproximou. Nisso, eu disparei por entre suas pernas e corri feito doida...
Sucesso completo minha fuga. Duas outras cadelas que estavam no mesmo local que eu, aproveitaram e fugiram também, o que me deu  mais chances de sumir no mundo.. Pois o  homem não sabia atrás de qual cachorro correr atrás. Se bem que estava mesmo era com raiva de mim.


Capítulo 7
O retorno à rua e o encontro com a Associação Protetora dos Animais

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A vida nas ruas não era fácil, gente ruim que maltrata animais como diversão, cachorros criados para atacar até seus semelhantes, frio, fome, sede... Mas enfim, havia o bônus da liberdade. A gente aprende a se virar. Tem gente ruim, mas tem muita gente de bom coração que deixa um pratinho de comida, água para os animais de rua. Tem pessoas bondosas que recolhe um gatinho aqui, um cachorro ali. Pessoas que se preocupam com nós.  E um dia um destes, já passados três anos deste que havia fugido da Zoonoses, alguns destes seres humanos de verdade me encontrou. Era de uma tal de associação protetora dos animais que recolhe animais abandonados e os leva para tratar e enviar para adoção. Mas bem diferente da Zoonoses da prefeitura aquele lugar gelado e frio na questão do relacionamento com a gente. Na Associação, fui bem tratada, recebi alem de comida e remédios, muito carinho.


Escrevi minhas memórias, para você saber que nós animais temos sentimentos. E para que quando você for adotar um animal de estimação, lembre-se que ele já viveu muitas aventuras. Talvez tenha sofrido como eu sofri, e esteja precisando de um lar com muito carinho e amor. Talvez você precise até se esforçar para ganhar sua confiança... Mas quando conseguir isso pode ter certeza... Você ganhará um amigo companheiro e fiel!

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Hoje me chamo Liza, sou já bem velhinha, 56 anos na idade dos cachorros. O que dá 08 anos na idade dos seres humanos. Mas ainda posso brincar, dar carinho e ser boa companheira. E estou prontinha para ser adotada.
E ai?
Quer ser meu dono? Meu amigo?
Quer ser minha família?



                                                        FIM

                                            Marcelo Bancalero

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS DIA DOS BONS ENCONTROS

Existem datas especiais, que comemoramos  durante o ano.
Algumas delas , conseguem livrar-se da simples manipulação consumista que o comércio aproveita,  e acabam tendo um significado especial devido a uma pessoa importante que passou  em nossas vidas.
Um encontro, acaba criando essa mágica que  trás um conteúdo  de valor  inestimável a certas datas.
O dia das mães e dia dos pais, pode ter esse sentimento para aqueles que tiverem suas vidas marcadas por seus progenitores. Esse em especial, mexe até com quem não teve a sorte de ter tido pai e mãe.
O dia do seu aniversário, marca o seu encontro consigo mesmo, ainda que você continue na trajetória que parece interminável, de tentar se encontrar.
O dia do amigo, que te faz relembrar tantos amigos que passaram por sua vida, que deixaram marcas.
E ainda os amigos presentes ainda em nossa história, cujo alguns, se tornam  mais próximos que  parentes.
O dia de Natal. Este é só terá um significado real, se você tiver um encontro com o aniversariante.
 Mas de todas estas datas, existe ainda uma que pode se tornar  uma data que te fará  sentir-se  de certa maneira em maior plenitude existencial. Dependendo é claro do resultado desse encontro...
Falo do dia de hoje, 12 de junho o Dia dos Namorados.
Uma data que mexe com qualquer ser humano na face da terra, que trás dentro do peito um coração  de verdade, movido por uma alma sensível ao sentimento misterioso, porem desejado...O tal do amor.
O dia dos namorados mexe com nossos sentimentos, independente de estarmos ou não  com alguém.
Afinal, além dessa data poder lhe trazer, desde lembranças de namoros antigos, de amores que não foram possíveis, e até a casais de namorados que estejam vivendo aquele momento mais gostoso da paixão, onde não importa a idade média do casal, 20, 30, 40,....80... Eles se comportam como adolescentes na relação.
A data ganha também um novo significado, com os namoros virtuais. Que podem ou não um dia  tornarem-se em encontros pessoais.
Para os poetas e poetizas a data é mais um motivo para um novo encontro com a poesia.

E por que colocar a data do dia dos namorados de maneira tão destacada? Mais ainda que datas  importantes como o Natal, e dia dos país e das mãe?
Simples...
É por que se essa data for bem aproveitada, se esse namoro evoluir para aquele "algo mais" sempre esperado. Se o resultado for a união desse encontro, num casamento afinal...
Essa data, se torna a matriz de outras datas que se tornarão as mais importantes para este casal...
Dela poderão surgir  datas como;
O dia do primeiro beijo
Dia do noivado
Dia do casamento
Aniversário do filho
E por ai vai...


Eu sei e entendo que por isso meso, essa data, pode trazer também algumas datas tristes... 
Nem vou falar destas, mas vou deixar uma sugestão.
Se você está triste  pois nesta data está só, pois ainda não encontrou  alguém que dê sentido  a ela, ou se já  encontrou esse alguém um dia e por algum motivo o perdeu pelo caminho...
Aproveite que hoje é dia 12 de junho... Dia dos Namorados!
E vai à luta!
Imagine se conseguir um novo amor ou primeiro amor justamente no dia dos namorados, o valor que terá essa data pra você nos próximos anos?

Nunca desista de sua felicidade!
E Feliz dia dos Namorados

Marcelo Bancalero


Opa...
Mas um poeta não pode simplesmente acabar uma mensagem do Dia dos Namorados, sem deixar um porma, sobre essa data.
Não tem que ser um complexo Soneto com seus 14 versos, mas nem que seja uma tímida trova de 4 linhas...

DIA DOS NAMORADOS

Dia em que o coração é quem decide  o valor que dará para a data
Incansável em sua busca de um porto segiuro, sua metade a procurar
Aos caprichos do destino, ele não se entrega sem  impôr sua vontade

Dia de lembranças, dia de perdão, ou de se preparar para um novo amor
O dia dos namorados trás consigo, implicito nesta data grandes significados
Só compreendidos  pelos poetas, ou por quem pelo vírus do amor foi contagiado

Não dá pra fugir dessa necessidade que habita o ser humano "normal"
A necessidade de se ter um grande amor, pra poder tornar esta data especial
Mágica pura, aliás a única mágica que existe de verdade e que se possa constatar
O "tal do amor" que nenhum cientista pode realmente explicar completamente
Restrínge suas definições  aos poetas, que humildemente o tentam definir
A data pode ser  um motivo especial, para se decidir nunca desistir
Da busca incansável da "tal felicidade",desse sentimento de completude 
Oras, se é preciso para essa completude existencial um bom encontro
Sai à luta por que hoje é Dia dos Namorados, dia de celebrar o amor


Marcelo Bancalero

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Hoje é #DiaDoAbraço

Hoje é #DiaDoAbraço
Mas não qualquer abraço destituídos de sentimentos
Ou abraço de tamanduá, aqueles que os traiçoeiros sabem dar
Nem abraços mecânicos, daqueles que damos em festas , quase que por obrigação...
Mas tente algo diferente neste  #DiaDoAbraço
Tente um abraço especial...

Aquele  abraço de gancho onde  você por alguns instantes conecta sua alma com o ser abraçado. Que quebra as defesas, trás uma paz especial, num recado que só é sonoro ao coração... "Fique tranquilo, estou contigo pro que der e vier"

Vale um abraço em quem ou o que você quiser...
Tem quem só tenha seu bichinho de estimação
Tem que  tenha o costume de abraçar o travesseiro, como uma forma de consolação

Tem o abraço  virtual
Que pode ser tão intenso quanto um abraço real


Mas não se esqueça que lá fora
Existem milhões de pessoas que já faz muito tempo não recebem abraço nenhum.
Se lembrar, ao passar por uma destas pessoas, tente um gesto de ousadia
Pare o carro, desça do ônibus, saia do seu mesmismo de todos os dias...
Dê de graça um abraço a quem  nem se lembra  que calor isso tem...
Tenho certeza que ao final, é você quem vai sentir-se muito bem!
Um Feliz #DiaDoAbraço


Do amigo Marcelo Bancalero

sábado, 31 de janeiro de 2015

Uma Ode aos novos imortais

Uma Ode aos novos imortais O que significa ser um imortal da academia? Que valor



Amplie a foto e veja texto completo

www.superpostagem.com.br/pub.asp?cp=2065150

O que significa ser um imortal da academia?
Que valor pode enfim, essa posição agregar?
Seria quem sabe um certo "status" essa honraria?
Ou algo que possa a si próprio vir exaltar?

É mais um diploma para exibirmos na parede?
Para gabar-se diante dos demais "meros mortais"?
Ou então, apenas mais um título para saciar a sede 
Para erguer a cabeça e se achar um pouco mais??

Quem pensar dessa maneira está deverás equivocado
Pois seria absurda essa ingrata inversão de valores
O ser acadêmico é honra para aquele que foi agraciado
Que não se oferece, mas é escolhido por seus antecessores

Ser acadêmico, é num mesmo intento com seus pares se unir 
Confrades, confreiras, que trazem dentro de si um mesmo ideal
Levar a cultura, inspirar quem sabe futuros acadêmicos a surgir
Pois em cada ser humano, existe também uma fagulha desse potencial

Enfim, ser acadêmico traz inerente uma responsabilidade
De ser exemplo, ser como uma referência para quem o venera
E quando o acadêmico compreende isso torna real sua imortalidade
Pois essa condição vai além de um protocolo que se degenera

Ele é imortalizado por sua contribuição à humanidade
Para quem oferta seus dons, nas letras, artes, história...
Para que assim seja eternizado numa concreta realidade
O fruto desse doar-se por tão nobre causa é sim, a sua única glória

Marcelo Bancalero   

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Olhos de ressaca


Os olhos de ressaca voltaram a me fitar
Olhos de ressaca Os olhos de ressaca voltaram a me fitar Não dissimulados como os



Amplie a foto e veja texto completo

www.superpostagem.com.br/pub.asp?cp=2061688
Não dissimulados como os da Capitu de Machado de Assis
Mas um tanto assim desconfiados, tentando me desvendar

Olhos capazes de minha alma completa desnudar
E nos meus sentimentos encontrar escondida qualquer cicatriz
E me trazer certa calma, mesmo quando está a me revelar

São os mesmos olhos de ressaca que um dia ousaram me olhar
Que me fitavam, enquanto se afogavam em meus beijos
Durante a química dessa paixão eles resolveram se manifestar


Marcelo Bancalero
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